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Estamos Encerrados

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          "Ela está parada, voltada para mim, nua e desprotegida. Reflecte-me enquanto me dispo calmamente, a espada caída e abandonada sob a pilha de roupa que se acumula na areia. Avanço e ponho um braço à volta da sua cintura. Juntas, caminhamos na direcção do fogo e entramos nele."

          Este livejournal está encerrado. Possivelmente para sempre, mas eu gosto de mudar de ideias, portanto não esperem demasiado :p

          Não me vou alongar com justificações, penso que a minha falta de tempo se tornou óbvia, mas há mais: Este LJ cumpriu o propósito para que foi criado, embora a ninguém excepto a mim isto faça sentido. Escrevo-o aqui para não o esquecer. Uma pessoa não é muito diferente de uma bonsai, excepto no ponto em que ela é a sua própria obra de arte. Ao contrário do que pensamos, quando os ramos velhos se cortam para dar espaço e força aos novos, a árvore que fomos não se perde: existe para sempre na essência da própria árvore. 

          Obrigado a todos os companheiros de caminho, pelo mimo, pelo cuidado, ou pelo silencio. Obrigado pela presença. Vemo-nos por aí.  


                                                                                                                                                                                                                             Mafalda

Rev.

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          Que algumas coisas só possam ser conquistadas pelo medo, que são necessárias as trevas e a solidão, que estamos sós a cada passagem, apesar do(s) espirito(s) que nos acompanham nos intervalos. 

          Que possamos sempre, do outro lado, rir e chorar e sentir reverência e maravilha pelo cálice que vivemos e pela chama de que somos guardiãs e centelhas luminosas. 

          A Brígida, Senhora dos novos começos, pela dádiva de uma Deusa.

NIN num coração muuuito cor de rosa...

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Não podia deixar isto assim a 'sujar' o meu lj.
Espreitem a coisa, mas usem oculos escuros...

Prontos? )


I should have listened to her,
so hard to keep control.
We kept on eating but our
bloated bellies still not full.
She gave us all she had but
we went and took some more.
Can't seem to shut her legs our
mother nature is a whore.

I got my propaganda I got revisionism.
I got my violence in hi-def ultra-realism.
I'm a part of this great nation.
I got my fist I got my plan I got survivalism.

Hypnotic sound of siren
echoing through the street.
The cocking of the rifles,
the marching of the feet.
You see your world on fire,
don't try to act surprised.
We did just what you told us.
Lost our faith along the way and found ourselves believing your lies.

I got my propaganda I got revisionism.
I got my violence (and) I got ultra-realism.
I'm a part of this great nation.
I got my fist I got my plan I got survivalism.

All bruised and broken bleeding,
she asks to take my hand.
I turn just keep on walking.
But you'd do the same thing in the circumstance I'm sure you understand.



Nine Inch Nails - Survivalism



E agora, vou voltar ao Java... :(

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Projecto Prometeus

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"Naquele tempo - recordo como um homem sabe recordar entre as mãos em concha o lume mais precioso - éramos um. Para tocar a extremidade dos céus, éramos um, ardendo desejosamente pelo alcance das suas estrelas nos nossos corpos de morte esperançosa de desesperada. De bigornas em chama, que nos trouxe Caim, martelámos a matéria com as chispas da vontade.

Mas para tocar as estrelas dividimo-nos, e o seu fogo queimou a nossa imortalidade. Como um raio, Lúcifer caiu, expelido dos céus, de embate ao nosso cume, e pelos destroços luminescentes soubemos que havíamos realizado a travessia naquele momento.
Cada pedra da nossa cidade é uma tocha, e ninguém nos impedirá, de futuro, de realizarmos todos os nossos projectos. O que Deus dividiu, o amor unirá."

Projecto Prometeus, de André Consciência


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Ajuda de berço

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Quatro histórias (terrivelmente) veridicas

e

Como dar uma ajuda sem ter que dar dinheiro
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What have I become / My sweetest friend

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What have I become?




 

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Espelhos

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Um corredor longo, portas. À esquerda, uma pequena cozinha. De um armário de madeira uma mulher tira ervas, remexendo em pequenos sacos. A mesa redonda está coberta por uma toalha de plástico estampada, e a penumbra lembra estores corridos no final de uma tarde de Inverno. "Esperava-te... Demoraste a voltar." Retorno ao corredor, e ela abre a porta à direita, embora seja a do fundo que os meus olhos percorrem. Passo para uma varanda de madeira cor de mel, estreita e comprida. À minha direita, janelas imensas, de que apenas vejo a luz clara que inunda abundante o espaço debaixo de mim. Volto-me para a esquerda, e pouso as mãos no bordo suave da varanda. Na parde do fundo uma tapeçaria em tons de verde cobre a madeira. Existe um som agradável e contínuo a preencher o silêncio. No piso de baixo, algumas mulheres caminham aparentemente sem rumo, enquanto outras se sentam, voltadas para a parede de padrão indistinto como se voltadas para um altar. Não sei se rezam, se cantam, se murmuram infintamente entre elas, mas a musica que oiço é insondável e deliciosa. Quero descer, mas a mulher que encontrei na cozinha não deixa. "Ainda não." Pelo canto do olho, vejo vultos na tapeçaria, talvez uma mulher, o seu corpo generoso coberto pelo cabelo ruivo e longo. Fantasio o seu olhar tímido e paradoxalmente provocante, a água e o verde que a rodeiam. Voltamos atrás, e acordo.

*

Estou sozinha, na estreita varanda de madeira, o mesmo silêncio com cheiro a sandalo preenche a sala. Atravesso o espaço vazio, e abro a porta. Estou no piso de baixo, e não vejo ninguem. Sinto, no entanto, que elas continuam lá. Estou voltada para a tapeçaria, mas os meus olhos fecham-se irresistivelmente em reverencia profunda. Acordo.

*

Estou confusa, desta vez. Na minha mente existem arcos de pedra iluminados por velas vermelhas e pretas e um circulo traçado a giz no chão negro, mas a linha temporal dissolve-se. Depois, a mesma mulher. Uma sala escura, toda de pedra, como masmorras de um grande castelo. No centro destaca-se um bloco de pedra, polido. Ela esta atrás e ligeiramente à direita, e desta vez demoro-me nela. Cabelos negros, pele branca e leitosa. O cabelo dela brilha à luz das velas lunares que não vejo. Existe uma passagem, atrás dela, encostada à parede da direita, mas está escuro e parece apenas um buraco negro no cenário. "Esperava-te. Demoraste a vir." A voz dela é seria e afiada, cristalina e como gelo. Tudo e nada como antes, mas no escuro baixo o olhar e fraquejo. "Deita-te no altar e fecha os olhos. Tenho algo para ti." Deito-me, a pedra fria mas macia sob o meu corpo, e o tecto dissolve-se em nevoa, luzes purpuras e escuridão. Acordo.


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3 sonhos, separados por muitos meses entre cada um.
A data e o momento perderam-se nas brumas do tempo.
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   'Us, and them... And after all we're only ordinary men. Me, and you. God only knows it's not what we would choose to do.

   "Forward!", he cried from the rear, and the front rank died. And the general sat, and the lines on the map moved from side to side. Black and blue, and who knows which is which and who is who. Up and down... But in the end it's only round and round.

   Haven't you heard?

   "It's a battle of words", the poster bearer cried.

   "Listen son," said the man with the gun, "there's room for you inside..."

   ["I mean, they're not gunna kill ya, so if you give 'em a quick short sharp shock, they won't do it again. Dig it? I mean, he get off lightly, cos I would've given him a thrashing - I only hit him once! It was only a difference of opinion, but really... I mean good manners don't cost nothing do they, eh?"]

   Down, and out. It can't be helped, but there's a lot of it about...

   With, without. And who'll deny it's what the fighting's all about?

   "Out of the way, it's a busy day, I've got things on my mind."

   For the want of the price of tea and a slice, the old man died...' 


                                                                                 Us and Them - Pink Floyd

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Deserto

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de negro
despida
na espera
limiar
os braços
rasgados
os lábios
distintos
magna
rainha

"The gates are open."
"Welcome to the Temple."

[As mãos dela estão pousadas sobre o ventre, a barriga redonda e cheia. Entre a luz prateada distingue-se a linha do horizonte, as dunas de areia do deserto. Ela está voltada para Este, e acima e á sua direita uma estrela prateada brilha com um fulgor intenso. O corpo está oculto por um manto, os cabelos negros e longos, os mesmos cabelos negros e longos, escorrem-lhe pelos ombros e sobre o peito.]

"Qual é real, este ou...?"
"Céu e inferno são o mar e o céu, tu és o horizonte."
"Bate à porta dentro de ti. Se Ele ainda existir..."

Nevoeiro

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Falo baixinho para não assustar os espíritos dos antigos, que me sussurram entre a voz do vento.
A névoa permeia-me, atravessa-me e instala-se em meu redor, suavizando os ângulos das paredes nuas, apagando os limites e desfazendo o caminho.

"Qual é real, este ou...?"
"Céu e inferno são o mar e o céu, tu és o horizonte."

Enquanto caminho, a caruma escurece sob os meus pés até se tornar carvão, e depois cinza, um pó fino e branco que delicadamente cobre a folhagem, as pedras brancas e as espadas cravadas no solo.

Cheira a sangue, mas não o vejo, porque ele se some pelas brechas da terra e é bebido pelas criaturas sujas que profanam este chão sagrado.

Devagarinho, empurro a porta da capela, que range queixosa ao expor o coração encarnado, as belas linhas de veludo e prata que decoram as paredes, o altar negro que vislumbro entre as sombras que são luz e que são velas eternamente acesas.

Ao lado do altar, um homem, em pé, a sua longa espada um adorno morto, espera-me, e eu aproximo-me e olho-lhe as órbitas sem olhos, o fundo escuro do crânio, esperando também.

Num gesto rápido, no preciso instante em que os seus dedos se fecharam no punho da espada, atravessei o limiar dos ossos do seu rosto e arranquei de dentro dele o pergaminho secreto, sentindo-o desfazer-se em cinza entre os meus dedos.

Sem o Nome, ele caiu no chão, os ossos a quebrarem com o impacto. Sob os seus pés, estava escrito: Eu sou vácuo.

Voltei-me, sempre erradamente certa, e, de costas para o altar, ajoelhei-me sobre o pó e chorei.

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